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Aos intensos e sensíveis...

  • daphnerq
  • 4 de mar. de 2025
  • 3 min de leitura



Aos intensos e sensíveis: Existem pessoas gigantescas, que ofendem sem querer.

Quando não sabem que são gigantescas, podem passar a vida pedindo desculpas, acreditando que sua forma de ser atrapalha os outros. Pessoas assim podem ouvir que ofendem porque se esforçam demais, por serem determinadas demais, por serem criativas demais, por sentirem demais. Ofendem por se divertirem com o conhecimento, por produzirem demais, por colocarem em prática suas capacidades com muita espontaneidade, por pulsarem demais e expressarem muitas emoções, por dançarem com muita paixão, por aprenderem música sem muito esforço, por encontrarem soluções inventivas, por contarem com uma memória fotográfica que poupa tempo de estudo.


Pessoas assim sofrem porque correlacionam muitos temas e as vezes não conseguem tomar um só partido, por enxergarem quase todas as facetas e incoerências nas relações e ideologias. Podem ser acusadas de sua complexidade e sentirem-se culpadas por invadir ou atropelar o tempo dos outros, sem que isso seja nem de perto sua intenção. Enquanto não se fortalecem e compreendem que todas as pessoas são diferentes e está tudo bem ser gigantesco, estão sempre pedindo perdão por serem elas mesmas, por sentirem demais.


Quando não compreendem ainda que podem amar quem são, exigem demais de

si e, consequentemente, dos outros, por não terem paciência com o tempo da natureza, que parece acontecer de forma muito lenta em relação ao seu pensamento.

Podem ter dificuldade de priorizar o autocuidado, pelo tempo do corpo não acompanhar seu ritmo de raciocínio. Podem querer que os outros acompanhem seu ritmo e acabar desrespeitando outras naturezas. Podem achar que estão erradas por se sentirem a minoria, ou se revoltarem contra todos por falta de uma compreensão mais ampla da própria condição.


Quando felizes e equilibrados, brincam com suas habilidades. Fazem tudo com tanta naturalidade que não entendem quando, repentinamente, surge alguém do além competindo com elas, sem que estejam fazendo qualquer coisa para chegar no primeiro lugar. Na verdade, seus dons são sua diversão na vida, e essa pessoa nem sempre enxerga o pódio onde os outros enxergam. Muitas vezes, ela já parece ter ofendido tanto que passa a ter medo de se mostrar arrogante, e pode preferir o silêncio e a falta de holofote das coxias, o que se traduz em autoboicote pela discrição ter virado sinônimo de sobrevivência.


Depois que passa pela fase da lagarta e da pupa, vai ganhando maior segurança para entender que cada um precisa cuidar de si, e não pode ser responsável pelas angústias daqueles que ainda não aprenderam a apreciar sua trajetória e seu próprio espelho. As vezes sua vontade é mostrar o quanto ela também admira os outros e os enxerga como grande borboletas, mas eles parecem não sentir isso. Cada caminho é único e muito valioso, e as pessoas gigantescas não podem ser responsáveis pelo amor próprio dos outros e se diminuir para não incomodar. Cuidar da própria autoestima já é uma tarefa desafiadora o suficiente. Cada um precisa se responsabilizar pela própria vida, pelas próprias escolhas. Cada um precisa aprender a enaltecer suas conquistas e sua própria sobrevivência. Somos fruto do tempo que priorizamos, do foco que investimos, da persistência que sofremos para manter, e muitas vezes, nos comparamos com pessoas que priorizaram outras coisas. Que o mundo aprenda a celebrar a alquimia de cada personalidade única. Que todos tenham espaço para ser o mais perto possível de quem desejam ser e a diferença possa ser celebrada como riqueza. Somos todos estrelas brilhantes, cada uma com um brilho único, fruto de uma história de lutas que ninguém realmente conhece a não ser o protagonista. Existe uma razão para o universo ser infinito: ele torna possível que todos possam ser gigantescos.

 
 
 

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