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Notas sobre a intensidade

  • daphnerq
  • 3 de abr. de 2025
  • 2 min de leitura

Tem um lado interessante no aprendizado sobre a nossa intensidade: tem uma hora que ela deixa de ser ameaça e simplesmente cansamos de mascará-la como aprendemos na infância, de nos importarmos com o impacto. Em alguns ela não foi domada, mas amedronta do mesmo jeito.


Se estamos vivendo direito, filtramos aos poucos quem não nos bancava. Não por deletar ninguém intencionalmente, mas porque naturalmente a sintonia minguou. Por termos aprendido a sustentar quem somos, algumas situações passaram a não fazer mais sentido.


É preciso estar certo de que a nossa autenticidade cabe na relação, ou não vale a pena seguir. No início a gente se assusta, e assusta as pessoas por demonstrar medo dessa força sobrenatural a qual parece que não temos conhecimento ou domínio dentro de nós.


Viver é aprender a usar a nós mesmos a nosso favor. A encrenca é que não nascemos sabendo fazer isso. É como se ganhar um corpo fosse o mesmo que ganhar um instrumento musical que você não sabe tocar. É preciso experimentar, aprender, repetir diversas vezes alguns movimentos para entender nosso som e medir o que somos capazes de fazer.


E sobreviver num corpo intenso dá um trabalho danado. Você sofre mais onde todo mundo parece passar ileso. Dói onde ninguém mais parece sentir dor, o pensamento vagueia onde ninguém mais foi, as emoções inundam, experiências normais da vida soam como tornados e você geralmente não entende como pode transformar tudo em questões existenciais enquanto todo mundo só está preocupado com a programação do fim de semana.


Mas aos poucos você vai aceitando e cessa a luta contra a própria natureza. Viver bem num corpo altamente sensível se resume em trabalhar com a verdade. A realidade de que você vai precisar descansar em horas inusitadas, ter fôlego pra seguir vivendo. A honestidade de que algumas coisas são inviáveis e outras imprescindíveis. A constatação de que você vai ter que aprender a se cuidar e criar segurança para não sucumbir.


Não há controle sobre nada, as decepções virão aos montes. Por isso ou escolhemos a beleza do mundo, ou seremos soterrados por ele. E sem esse tipo de alimento que se traduz no amor, na saúde, na arte, a existência é um deserto.

 
 
 

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