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Ser superdotado é...

  • daphnerq
  • 4 de mar. de 2025
  • 2 min de leitura

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Viver para superar os próprios feitos, fugir desesperadamente dos defeitos, até entender que os erros guardam a força. É sentir-se inadequado ao fazer tudo certo, porque o quadrado que mede a média é o mesmo que abarca o tédio. É encontrar perguntas nas respostas, e algumas respostas nas próprias perguntas. É mergulhar fundo em dores e amores, para achar em meio aos temores, um jeito digno de viver. É buscar freio para as horas gastas, principalmente aquelas que não bastam quando criar é sinônimo de prazer.


É ver a mente esquecer das vísceras, sem fazer nenhuma pausa quando encontra lazer. É sofrer com o indizível, querer ser um pouco invisível, para os outros não se incomodarem com seu tamanho. É por vezes fingir ser mais lento, diminuir os detalhes e procurar (sem encontrar) os seus pares. É se decepcionar muitas vezes até entender que cada um só oferece o que tem. É achar difícil confiar em meio a tantas incertezas, e ainda assim decidir dar a chance a alguém. É pedir desculpas pelo que não disse, sofrer demais com tolices, até amadurecer.


É sentir-se meio extraterrestre e nem sempre saber de onde o talento vem. É estar sempre um passo à frente, ser ter tido tempo suficiente, para aprender com a vida a ser gente. É preocupar-se demais com os planos, tentar acolher os processos humanos e entender que o relógio do corpo difere da mente. É não compreender a hostilidade, sofrer com a falta de verdade e às vezes querer descer do trem. É ter mais do que cinco sentidos quando a sensibilidade parece ir além.


É traçar sempre as metas mais altas e frustrar-se por nem sempre conseguir de primeira. É ser muito bom em muitas coisas, embora em nem tudo da mesma maneira. É achar estranho o que é difícil, só por ser meio raro em seu repertório. É resistir em “se achar” no espelho e achar o elogio um pouco ilusório. É aprender que o tempo é ferramenta, que o processo é o lema do planeta, e que os meios são mais valiosos que os fins.


Afinal, nenhuma semente germina em apenas um dia em qualquer jardim. É acolher a própria intensidade e parar de lutar contra a força que o torna gigante sem sua permissão. É entender a própria missão, não mais fugir do coração, para se descobrir no lugar correto, mesmo quando o mundo da infância parecia dizer que não.


Daphne Queiroz, 2020

 
 
 

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